OS PALOTINOS NO BRASIL
A Itália quando se unificou deixou um rastro de problemas sociais, de fome e de miséria. Havia super-população, que os políticos resolveram atenuar com a emigração. Num período de cem anos partiram de sua pátria mais de um milhão e meio de italianos, muitos dos quais vieram para o Rio Grande do Sul, onde se dedicaram às tarefas rurais e fundaram inúmeros núcleos coloniais, que com o andar dos anos, se transformaram em prósperas cidades.
PRIMEIRAS NECESSIDADES DOS IMIGRANTES
A primeira necessidade dos imigrantes colocados no meio da floresta foi a falta de sacerdotes para a assistência espiritual. Onde mais se fez sentir foi em Vale Vêneto desde 1879. Edificante foi o empenho que os imigrantes deste núcleo da Quarta Colônia de Silveira Martins, fizeram a fim de conseguir um sacerdote. Eles podiam suportar todos os sofrimentos no meio da floresta, mas não podiam aguentar a falta do ministro de Deus. Já em 1879 enviaram a Itália o sr. Antônio Vernier em busca dum padre. As despesas correram por conta dos imigrantes de Vale Vêneto e Novo Treviso. O primeiro sacerdote que veio para Vale Vêneto foi o padre Antônio Sorio. Seu companheiro aceitou ir para Silveira Martins.
VINDA DOS PALOTINOS
Em 1884 morreu o padre de Silveira Martins e o Pe. Antônio Sorio deixou Vale Vêneto e foi para a sede da colônia. Houve certas desavenças entre aquele padre e o povo do Vale. No fim, os imigrantes deste lugar ficaram livres de procurarem outros sacerdotes. Escreveram para o seu procurador, Antônio Vernier que fizesse o possível de arrumar outros padres para Vale Vêneto. Ele esteve até com Dom João Bosco e este o mandou para Roma falar com o superior dos palotinos, Pe. José Faá di Bruno. Depois de longa demora o superior mandou junto aos imigrantes de Vale Vêneto o seu procurador, Padre Guilherme Whitmée. Em 1886 vieram para este núcleo os missionários Jacob Pfaendler e Francisco Schuster. Chegaram em Vale Vêneto dia 24 de junho de 1886
PRIMEIRO TRABALHO APOSTÓLICOS
Padres alemães para italianos? Parece uma contradição. Há uma explicação. O governo da Alemanha, Bismarck, proibia a entrada de religiosos no seu país. Então os palotinos atravessaram as fronteiras para estudarem na Itália, em Masio e na Universidade Gregoriana. E assim aprenderam bem a língua italiana e não tiveram dificuldade para atender os imigrantes de quase toda a Quarta Colônia.

Vale Vêneto, berço da Província
N.Sra Conquistadora, ainda conserva
o viveiro de vocações
Em 1887 vieram mais missionários: Pes. João Vogel e Andrea Wlter. Depois chegaram padres Henrique Vieter, Carmine Fasulo. Em 1888 os palotinos assumiram Caxias, Zamith (hoje Monte Belo do Sul) e a Nova Trento (Flores da Cunha). Em 1892 vieram 8 seminaristas maiores para Porto Alegre, onde terminaram os estudantes no seminário maior diocesano. Antes do fim do século XIX quase todos se ordenaram e assim foi possível estender o campo da Missão Palotina no Rio Grande do Sul. Em 1896 assumiram também a paróquia de Santa Maria, que se tornaria a paróquia Italiana de Silveira Martins, pela morte do Padre Antônio Sorio. E a Missão foi crescendo mais e mais. Em 1903 os missionários palotinos tomaram conta de Cruz Alta e Passo Fundo. Nos anos subseqüente a Missão se espandiu mais ainda com as paróquias de Palmeira, São Luiz Gonzaga, Cerro Largo, Nonoai,Júlio de Castilhos e São Pedro do Rincão.
Em 1909 a Sociedade foi dividida em quatro Províncias. As casas do Brasil, Uruguai e América do Norte formaram a Província Americana. E a sede ficou ainda em Santa Maria e continuou até 1919. Nesta época já se tinham formado padres ítalos-brasileiros. E na diocese de Santa Maria os palotinos eram a maioria do clero. A paróquia de Passo Fundo era a mais extensa do Rio Grande do Sul, com 30.000 km2. Dum extremo ao outro as distâncias eram mais de 270 quilômetros. Todo o atendimento era feito no lombo do cavalo e burro. Muitas vezes os arreios e os pelegos serviam de cama para o padre. O padre Valentim Rumpel costumava dizer, quando chegava em casa dum fazendeiro: "O milho para o cavalo e a cangica para o padre".
O Padre Valentim Rumpel que trabalhou naquela imensa paróquia resumiu seu trabalho do ano de 1913: 538 sermões, 453 catequeses, preparou 150 crianças para a primeira comunhão e 589 para a primeira confissão, fez 18 visitas aos enfermos, cantou o terço de dia e de noite 163 vezes e concluiu: "dormi 48 noites na minha cama". Eis como eram os trabalhos dele e de seus companheiros na imensa paróquia de Passo Fundo.
DEPOIS DE TANTO TRABALHO UM CRISE
Em 1920 aconteceu a divisão entre os padres alemãs e italianos e ítalos-brasileiros. Parece que a principal causa, segundo o padre Frederico Schwinn foi o europismo e alguma animosidade durante a Primeira Guerra Mundial. Influiu também a proibição de os padres alemães de serem vigários durante a mesma guerra. A parte brasileira ficou com as paróquias e curatos de Vale Vêneto, Santa Maria, Silveira Martins, Nova Palma, Novo Treviso e Arroio Grande e com 11 padres e alguns seminaristas.
O primeiro grande passo foi construir o seminário menor "Rainha dos Apóstolos" de Vale Vêneto, em 1922 e desenvolver as vocações. Estas, graças a Deus, prosperaram muito, principalmente na colônia italiana.
Os seminaristas maiores fizeram seus estudos superiores em São Leopoldo com os padres Jesuítas. Em 1936 começaram as missões populares pregadas pelos nossos missionários com muito fruto. Dom Antônio Reis, de saudosa memória, chegou a afirmar que na diocese de Santa Maria a fé não esmoreceu, devido às pregações dos palotinos.Em 7 de março de 1940 as casas dos palotinos do Rio Grande do Sul formaram a Província N.S.Conquistadora. No ano seguinte começou em Polêsine o seminário maior com o estudo da Filosofia e no mesmo lugar, em 1948, teve início também a Teologia. Em 1954 abriu-se uma porta para o Mato Grosso do Sul e Paraná. E neste tempo já estavam nossos padres também em Porto Alegre. Ali teve origem um moderna gráfica.
Em 1974 foram para Manaus, onde assumiram o santuário de N.S. de Fátima e a paróquia da Rainha dos Apóstolos. Mantém também um centro de formação. Em Rondônia administram cinco paróquias. Começou um seminário, em Ariquemes.
Quando aconteceu a separação entre os padres palotinos alemães e os italianos e ítalos-brasileiros no Rio Grande do Sul aqueles ficaram com as casas da Serra: Cruz Alta, Passo Fundo, Cerro Largo e duas casas de Porto Alegre.

Vista área do Seminário
Menor de Londrina.
Em 1929 decidiram deixar o Brasil e concentrar suas forças na Alemanha, onde o padre João Weber tinha aberto uma casa em Bruchsal. Os padres Erasmo e Roberto Rosenfeld ao chegarem em São Paulo, antes de se despedirem, se encontraram com o Bispo de Jacarezinho, Dom Fernando Tadei, que ao saber que eram palotinos reteve-los para sua diocese. Sua simpatia pelos palotinos partia duma certa relação com Vicente Pallotti. Este santo um dia depois duma missão popular se hospedara em casa dos Tadei. Então Dom Fernando Tadei lhes ofereceu campo de trabalho em sua diocese, na catedral e na cidade. Tempo depois o padre Erasmo fundou o ginásio Cristo Rei para educação de juventude. O campo de apostolado foi se entendendo pelo nordeste do Estado do Paraná, onde assumiram outras paróquias: Jataí, Sertanópolis, Carlópolis, São José da Boa Vista, Ribeirão Claro e Londrina que se tornou uma grande cidade, diocese e arquidiocese. Na área palotinos assumiram outras diversas paróquia. Nesta e na paróquias administradas por eles deram muita vida aos movimentos de leigos, segundo a mente de Pallotti: Apostolado da Oração; Congregações Marianas Legião de Maria, Cursilho de Cristandade. Movimento Familiar Cristão Focolarinos e Movimento de Jovens.
Com o correr dos anos foram administrando mais paróquias Marilândia, Tamarana, Congoguinhas,Vila Nova(Londrina), Rolândia,Cambé,Arapongas, Mandaguari, Marialva, Cornélio Procópio, Cristo Rei (Curitiba).
Os trabalhos no Nordeste do Paraná mostraram o
pioneirismo da Província de S.Paulo Apóstolo. Foi ereta como província em 1953.
Em Londrina funcionou o seminário menor, em Cornélio Procópio está o noviciado e
em Curitiba, além das paróquias está também o seminário maior. O número de
casas, entre paróquias, casas de formação são perto de 30. Tanto os Palotinos da
Província S.Paulo como os da Província N.Sra. Conquistadora sentiram bem viva a
realidade da promessa d Pallotti: "essa sociedade será abençoada". As bênçãos se
revelaram nas inúmeras vocações e na multiplicidade de realizações apostólicas.
(Paulo de Geslin, Compagnon de
Saint Vicente Pallotti, editado por Bruno Bayer, Paris 1972)

O Palotino é um evangelizador
por excelência. Igreja "Rainha
dos Apóstolos", S.P