I. ESPIRITUALIDADE PALOTINA

1.1 - Introdução:

Falar de espiritualidade Palotina é uma tarefa  necessária, embora difícil porque se trata de captar a vida espiritual do Fundador e também de ver o que ele queria de seus filhos. É uma necessidade urgida pelos tempos e pela própria Igreja. É um “voltar às fontes”. Os papas do concílio insistem na necessidade de voltar às fontes , ao Fundador, ao seu espírito, de ser fiéis ao mesmo e também de prolongá-lo em nosso tempo, na Igreja e no mundo de hoje. Mediante isto a tarefa da comunidade  religiosa é de servir de ponte ou de mediação para este encontro de salvação e para esta aliança.

Grande é também a dificuldade de conhecer o espírito de Pallotti. Não é fácil encontrar um ponto de acesso ao espírito do Fundador, ao que ele viveu e o  que espera de seus filhos.

É uma dificuldade apontada pelos que se ocuparam do Fundador. Tal dificuldade diz respeito não só ao tema da espiritualidade, mas também à espiritualidade Palotina.

1.2 - Vamos aos fatos:

São Vicente Pallotti deixou para nós um herança muito grande sobre  como ele rezava e como sentia a presença de Deus em sua vida. Agora , nós também, seus filhos, queremos voltar para dentro de nós mesmos e sentir o amor de Deus que nos impulsiona a um compromisso com a Igreja , compromisso esse  que nos leva a uma missão.

1.3 - O que é espiritualidade?

É um termo muito usado. Fala-se da espiritualidade franciscana jesuíta, beneditina, dominicana; do Bispo, do sacerdote,  do leigo ou também da religiosa, do matrimônio, da Igreja.

É aplicado ao homem individual e também às comunidades humanas, famílias, grupos, comunidades religiosas pois somente o humano é um  ser espiritual, pois somente o homem tem capacidade de entender o sentido das coisas, sentido da existência, da história, do trabalho,  dos acontecimentos; só eles são capazes  de decidir-se conscientemente, livremente, com responsabilidade. Espiritualidade portanto diz respeito ao Espírito, logo, implica inteligência, vontade, liberdade, amor.

Espiritualidade significa pois, a essência do nosso ser-cristão, o modo de nos apropriar da fé e de, a partir dela, formar a nossa vida. Ela é portanto, a especial fisionomia espiritual de um homem.

A espiritualidade implica portanto um viver espiritual, distinto do viver animam ou vegetal; o homem é homem porque é capaz de relacionar-se humanamente, isto é, pela sua inteligência e vontade, com todas as coisas.

Vejamos algumas definições deste termo:

A)  NO CIC:

“Na comunhão dos santos se desenvolveram ao longo da história das Igrejas diversas espiritualidade. O carisma pessoal de uma testemunha  do Amor de Deus aos homens pôde ser transmitido, como o espírito de Elias a Eliseu e a João Batista, para que alguns discípulos tenham parte nesse espírito. Há uma espiritualidade  igualmente na confluência  de outras correntes, liturgias e teológicas, atestando a incuturação da fé num meio humano e em sua história. As espiritualidade  cristãs participam da tradição  viva da oração e são guias indispensáveis para os fiéis, refletindo, na sua rica diversidade, a pura e única Luz do Espírito Santo”.[1]

Logo, a espiritualidade pode ser vista  com um modo particular de ver e de amar, de querer a realidade  e de servir-se dela, de transformá-la. Espiritualidade humana pode-se dizer é o modo próprio  como o ser humano vê e ama , quer e adapta ou transforma a realidade, como ele se relaciona com seus semelhantes, com o Ser Absoluto.

B) NO CONCÍLIO:

Da renovação  pós conciliar da vida religiosa a Igreja espera de cada comunidade uma  “volta às fontes de toda  vida cristã e à inspiração primitiva e original dos institutos bem como uma adaptação  dos mesmos às novas condições  dos tempos”.[2]

O espírito e as intenções específicas dos fundadores  devem portanto ser fielmente conhecidos e observados. Somos, pois , também nós convidados a  refletir sobre a nossa espiritualidade Palotina.

O que temos então por certo é que a espiritualidade do fundador deve refletir-se   na Espiritualidade das comunidades por ele fundadas. Quem não conhece a Espiritualidade do fundador, não pode  conhecer também a da comunidade. Isso não obstante, a comunidade não é simplesmente prolongação da personalidade do fundador, pois deve haver traços na espiritualidade do fundador que não são determinantes para a comunidade fundada por ele.

 

II. A ESPIRITUALIDADE DE S. V. PALLOTTI:

A vida espiritual de um homem é muito complexa e existem muitos  caminhos em que ela se expressa. Vicente Pallotti possuía uma vida espiritual muito rica, razão por que é impossível, sem  um estudo intenso e minucioso, descrevê-la plenamente. Mas para o nosso objetivo é suficiente que indiquemos os traços essenciais de sua espiritualidade, nas suas idéias e n sua obra.

A grande meta nossa é a missão, queremos e somos essencialmente missionários, ora, par sermos missionários , ou seja, para falarmos de Deus , de seu amor, é preciso que antes nós  tenhamos feito uma experiência  de Deus e que estejamos  convencidos de que Ele  é a nossa única esperança. Devemos aprender com Pallotti a nos lançar em suas mãos para podermos assumir o nosso carisma como pessoas maduras na fé, testemunhando Jesus Cristo em todos os momentos de nossa vida, a saber:  na família , na escola, no trabalho e na sociedade através  do nosso comprometimento até mesmo no modo político.

 

Sem dúvida Pallotti ao cria a UAC, queria que todos os fiéis de uma maneira ou de outra descobrissem o amor de Deus e como conseqüência disto exercessem alguma atividade que pudessem elevar a pessoa em seu mais alto grau de dignidade como verdadeiros  filhos de  Deus. Aliás, o ser humano é chamado para viver sua verdadeira vocação em plena comunhão com Deus. Mas muitos de nossos contemporâneos não percebem de modo algum esta união íntima  e vital com Deus  explicitamente a rejeitam, a ponto de ao ateísmo apresentar-se  entre os gravíssimos problemas de nosso tempo.

A própria modernidade  não por si mesma mas porque demasiadamente comprometida com as realidades terrestres, pode muitas vezes dificultar o acesso da Deus.[3]

 

Nós percebemos dentro da espiritualidade de Pallotti traços genuinamente paulinos, haja visto o lema que nos foi dado extraído da Segunda carta de S. Paulo aos Corintios: Charitas Christi urget nos .[4] Além disso São Paulo foi para Pallotti o modelo de zelo verdadeiramente apostólico.

S.V.Pallotti foi um homem que viveu uma grande e fascinante visão e por ela foi inspirado, tal visão era o inesgotável  milagre do amor e da misericórdia infinita de Deus. Pallotti via o amor de Deus atuando na criação do mundo.

O amor desinteressado e generoso é, pois o motivo último da criação dado mundo. Este amor criador alcança o seu ponto culminante na criação do homem à imagem e semelhança de Deus: ao ser dotado dos dons da natureza e da graça, que o capacitam a ser um reflexo das perfeições  divinas, e sobretudo, ao ser chamado a participar da vida divina e da comunhão com Deus.

Vejamos então como Pallotti viu este plano original do amor de Deus contrariado pelo pecado do homem:

“Iluminado pela fé divina, devo considerar que Deus nos criou com amo0r infinito e com misericórdia infinita à sua imagem e semelhança, ao qual devemos ser semelhantes na glória por toda a eternidade.

Mas Adão  pecou e no pecado de nosso primeiro pai nos tornamos todos , todo o gênero humano, “massa de perdição” e filhos do inferno. Vendo isto, Deus imediatamente chama, em sua infinita e amorosa misericórdia, o desobediente Adão e admoesta-o paternalmente. Sim, ele está, por assim dizer, apaixonado pelo homem, pelo homem que é de tal modo ingrato e miserável que sem mais, abandona a Deus, o bem infinito, e cava com suas próprias mãos a sua ruína. Por isso  Deus promete-lhe o Salvador, seu próprio Filho Unigênito, nosso Senhor feito homem por nós no seio de uma Virgem  por obra do Espírito Santo. E este é Nosso Senhor Jesus Cristo”.[5]

São Vicente Pallotti via em Jesus Cristo o mais perfeito modelo do homem:

‘ impelido  pelo seu infinito amor e pela sua infinita misericórdia deus se fez homem. Ele  quis ensinar-nos através da sua  santíssima  humanidade como devemos vier, a fim de aperfeiçoar a nossa alma  como imagem viva de Deus”[6]

 

2.1 - NOSSA IMAGEM PALOTINA DE CRISTO:

2.1.1 - Caracteriza a  espiritualidade de uma comunidade a sua preponderante                                                      imagem de cristo:

Os beneditinos, por exemplo vêm o Cristo sobretudo como “Rex aetenae gloriae”, ao qual através de sua vida monástica, em cujo centro está a vida litúrgica, prestam a devida honra e adoração.

S. Francisco estava fascinado pelo  Cristo pobre e humilhado e que tinha vindo para partilhar a vida dos pobres e aniciar-lhes  a Boa Nova do Reino de Deus.

Para Santo Inácio, Cristo era o Rei que conquista o mundo inteiro par o Reino de seu Pai.

2.1.2 - A especial imagem de Cristo de S. Vicente Pallotti é a do “Apóstolo do Pai Eterno”

Vejamos o que Pallotti nos diz a este respeito:

“ Nosso Senhor Jesus Cristo é o apóstolo do Pai eterno, porque mandado por ele  par reparar a glória da sua majestade e para remir o gênero humano feito mas de perdição pelo pecado de Adão.”

2.1.3 - O espírito apostólico:

A imagem predominante da Cristo de Pallotti, como apóstolo do Pai eterno, marca a Espiritualidade das comunidades fundadas por ele. Uma espiritualidade brotada dessa imagem de Cristo será essencialmente apostólica.

Uma espiritualidade Palotina é  essencialmente apostólica. Ela nunca está  apenas interessada na salvação da própria alma, o que poderia ser também uma espécie de egoísmo espiritual, ela está, pelo contrário sempre aberta e ordenada  para a maior  glória de Deus, obtida pela salvação dos homens, e por isso empenhada em promover a obra da redenção de Cristo, a espalhar a fé e a caridade e a realizar a salvação entre os homens. Uma espiritualidade Palotina é dinâmica e olha para frente. Não repousa em si mesma, mas reclama engajamento e atividade.

 

 

2.1.4 - Universalidade:

Uma outra característica  de nossa Espiritualidade apostólica é sua universalidade. Ela é, como sabemos universal, na medida que se identifica com a espiritualidade verdadeiramente cristã. Mas ela é também , enquanto penetra  toda a vida e todo o agir de um cristão. Quero dizer com isto que não apenas certas atividades de um cristão são apostolado, mas tudo o que um cristão   faz, deve Ter um caráter  apostólico, pois como nos diz Pallotti:

“ O apostolado católico, isto é, o apostolado universal, como é comum a todas as classes de pessoas, consiste em que cada um faça o que pode e deve para a maior glória de Deus e para a salvação de sua e da alma do seu próximo”.

 

2.2 - O AMOR COMO MOTIVO FUNDAMENTAL:

Segundo Pallotti, o motivo último que move a Deus n criação e na redenção, é seu infinito amor pelo homem. A mais formidável expressão deste amor é Ter ele enviado seu filho ao mundo para ser nosso salvador. Também Jesus Cristo movido pelo amor tornou-se nosso redentor. Em tudo o que ele fazia durante a vida terrena, era impelido pelo seu amor ao Pai e pelo seu amor redentor aos homens. Ele veio  para ascender o fogo do amor de Deus no coração dos homens.

Em uma espiritualidade Palotina o amor é o motivo fundamental. No prefácio da regra Pallotti diz:

“ A Sociedade está fundada no amor. Ela  tem como fim promover em todos os fiéis as obras de caridade e misericórdia  para a maior glória de Deus e da Imaculada Mãe de Deus e para a maior santificação dos homens. Ela deve por isso sempre ser motivada pelo espírito de perfeita caridade .”

O amor pega a pessoa na sua totalidade: coração, alma e forças com vemos em Deuteronômio:

“ Amarás o Senhor Teu Deus  de todo o teu coração, de toda a tua alma e com todas as tuas forças ”.[7]

O cristão é portanto chamado a fazer a experiência radical do cristianismo, isto é, entrar na experiência pessoal do amor de Deus por ele. A fé autêntica  me leva a afirmar que Deus me ama e ama com amor infinito. Tarefa às vezes muito dura.

A fé é uma resposta pessoal a Cristo, que por sua vez é personalizante e libertadora.

Para os discípulos de Jesus  a fé foi a resposta a uma pergunta de Jesus. “Que dizem os homens a respeito do filho do homem?”

Jesus aqui não pergunta se os discípulos gostaram da sua idéia, do seu ensino, do belo ideal que vai difundindo. A pergunta não é teológica, mas existencial. Só eu posso respondê-la. Ninguém  pode responder em meu lugar. Não existe fé por procuração. Se assim fosse não seria fé mas crença.

A fé não é uma linguagem que todo mundo fala, ela é uma resposta pessoal. É isso que creio, porque fiz uma experiência. É impossível da uma resposta pessoal de fé, sem  me revelar quem sou. Pedro disse: “Tu és o messias”.  A fé  começa n hora que foi a minha primeira resposta pessoal. A fé pessoa é um dinamismo, não acaba nunca.   

Vejamos então alguns aspectos da manifestação deste amor na Sagrada Escritura:

2.2.1 - O amor infinito de Deus na Sagrada Escritura:

Deus se revela em suas obras. A criação é revelação de Deus e de suas riquezas (Rom1,18ss). Especialmente o homem e a mulher, como imagem e semelhança de Deus, o revelam ao mundo (Sl8,19). Mas Deus que revelar-se a si mesmo ao povo e o faz através de sua palavra ( Ef 1,1ss). Revela-se como o criador e o conservador, como o salvador e o santificador, na glória de suas obras. Essa revelação do amor de Deus atinge sua máxima expressão na plenitude  dos tempos , na vida e mensagem de Cristo.

Deus é Amor (1Jo 4,16)

Amai-vos uns aos outros (Jo 15,17)

 

2.2.2 - Questões fundamentais:

Estas duas pequenas frases do NT representam o ponto culminante da revelação, e nos opõem certas questões:

-       Como pode um Deus infinito e perfeito amara tanto a criatura humana, limitada e tantas vezes rebeldes?

-       E como o homem pode responder esse amor ?

-       E como pode amar o seu semelhante?

Fora a Sagrada Escritura , existe uma infinidade de resposta, dadas pelas religiões antigas e novas, pelos homens do passado e por muitos dos nossos contemporâneos.

Examinando as aquelas que conhecemos, podemos ver que inevitavelmente caem nos dois erros extremos:

a-   colocam Deus tão distante e inacessível, de ponte cortada conosco aponto de ser impossível saber alguma coisa Dele.

b-   Abaixam-no tão ao nosso nível a ponto de reduzi-lo a nossa própria medida.

A resposta bíblica, ao contrario, é uma só e brota do dialogo de amor que Deus por sua iniciativa, estabelece com a humanidade, com a criação. Deus se compromete a nos amara e ensinar a ama-Lo e amar-nos uns aos outros.

Essa história de amor entre Deus e a humanidade percorre toda a bíblia: o amor infinito de Deus transparece desde o início da história Sagrada.

2.2.3 - Imagens Bíblicas do Amor de Deus:

Encontramos no antigo testamento muitas imagens desse amor nas quais Deus para se fazer conhecer, se apresenta através das realidades humanas, elevando-as a capacidade de expressão de seu amor perfeito, sublime, sem medida.

Textos:

Os 2,1-4.16-22; Is 49,15ss; Jo 15; Je 1,1-12; Sl 138-139

-       Procure descobrir nos textos sugeridos gestos de amor e de carinho expressos por Deus ao seu povo.

-       Revendo sua caminhada de fé e de vocação, em que momento o amor de Deus foi marcante em sua vida?

-       O que significa ser amado infinitamente por Deus?

-       Se não conseguiu identificar a ação de Deus em sua vida, qual foi o motivo desse bloqueio?

 

2.3 - O APOSTOLADO É IMITAÇÃO DE CRISTO:

Uma característica típica da espiritualidade Palotina é a especial relação existente entre apostolado e imitação de Cristo. É uma decorrência do conceito que Palote tem do apostolado e sobre isso Palote expressa no documento sobre os fundamentos assim:

“O conceito de apostolo e de apostolado se esclarece pela missão e a vida do Filho .Apostolo é aquele que é enviado. Nosso Senhor Jesus Cristo é o apostolo do Pai eterno, porque foi enviado por Ele para realizar o seu desígnio de salvação. O apostolado de Jesus Cristo é a sua obediência ao preceito do Pai celeste, isto é, a própria obra da redenção, segue se que a vida de Cristo pode ser vista como seu apostolado. Apostolado é pois, toda atividade feita Segunda a vontade de Deus e ordenada a sua glória, mediante a salvação do homem e do mundo.” [8]

Existe portanto uma dependência reciproca entre vida apostólica e vida de imitação de Cristo. Por esse motivo, Pallotti fez da vida de Cristo a regra fundamental de todas as comunidades fundada por ele. É pois, nossa especial tarefa levar a um fecundo equilíbrio a tensão normalmente entre as exigências da vida religiosa e aquelas do nosso apostolado.

2.4 - ESPIRITO DE COMUNIDADE

Pallotti estava profundamente convencido do aspecto social da obra da salvação:

“Aprouve a Deus santificar e salvar os homens não singularmente, sem nenhuma conexão uns com os outros, mas constituí-los num povo, que o conhecesse na verdade e santamente e servisse.”[9]

Uma espiritualidade Palotina não pode ser individualista, mas deve Ter um caráter social e comunitário tanto que Pallotti se inspirou em sua idéia do apostolado católico na imagem do Cenáculo, os At descreve a Igreja nascente que com Maria a Mãe de Jesus estava unidos e em oração à espera do Espirito Santo. O verdadeiro espirito da comunidade é portanto, essencial para nossa forma de vida Palotina.

Deve ser tal que nos torne capazes de:

a-   de viver como irmãos numa comunidade religiosa ( somos comunidade de fé e de oração)

b-   de trabalhar como uma equipe apostólica ( que conserve e cultive o espirito apostólico em seus membros e os torna aptos para um trabalho comum).

c-   de trabalhar junto com os outros no apostolado (não podemos ser fatores de desintegração e divisão, mas de integração e de unificação)

 

2.5 - FIDELIDADE A IGREJA:

Uma outra característica da espiritualidade Palotina é uma especial dedicação e fidelidade a igreja e a sua hierarquia. Pallotti luta em seu tempo pelo direito e pelo dever de todo o batizado de participar da missão apostólica da igreja, livrando assim, o conceito de apostolado de sua estreiteza hierárquica. Também os leigos tem um direito originário ao apostolado.

Sempre que Pallotti fala do apostolado acentua ao mesmo tempo a plena dependência da hierarquia da igreja  e sua tarefa de servir à igreja e à sua missão.

Nossa espiritualidade Palotina exige por isso de nós uma especial amor à igreja cuja a missão de continuar a obra da salvação de Cristo, nós também participamos. O apostolado católico jamais pode ser realizado contra a hierarquia mas somente no espirito de serviço e de colaboração e obediência à mesma, não uma obediência cadavérica mas aberta responsável que fomente vida na vida do cristão e da igreja.

 

2.6 - ESPIRITO MARIANO

A espiritualidade Palotina tem por si um caráter marcadamente mariano. Pallottti escreve:

“A Sociedade luta sob o poderoso patrocínio da Imaculada Mãe de Deus, a Rainha dos Apóstolos, por dois motivos sagrados. O primeiro para obter através dos merecimentos e pela intercessão da grande Mãe de Deus Imaculada todas as graças e todos os dons, pelos quais a Pia Sociedade possa existir na Igreja e propagar-se rapidamente em todas as partes do mundo. O segundo é para que todos... em Maria tenham, depois de Jesus Cristo, o mais perfeito modelo do verdadeiro zelo apostólico e da perfeita caridade, posto que ela se empenhou tanto pelas obras da maior glória de Deus e da Salvação das almas, que, embora lhe tivesse sido confiado o ministério sacerdotal, superou em merecimento aos apóstolos, de sorte que a Igreja a saúda com razão como Rainha dos Apóstolos por Ter cooperado mais do que os apóstolos na propagação da santa fé.”[10]

Para Pallotti Maria era o mais luminoso exemplo de um apostolo leigo e a melhor justificação para  a existência do apostolado leigo.

O espirito Mariano da nossa comunidade exige pois de nós não somente um cultivo pessoal da devoção à Maria mais sobretudo que a imitemos na sua maneira de exercer seu apostolado: através de uma fé inabalável, de uma vida de perfeita imitação de Jesus Cristo, de uma prontidão em servir ao Senhor e a Igreja , de oração e sacrifício.                                            AMDG.



[1] In Catecismo da Igreja Católica  2684 pg. 602.

[2] Cf. Perfectae Caritatis,2

[3] Cf. GS 253.

[4] Cf. 2Cor 5,14.

[5] Cf. Deus, amor infinito 22,1.

[6] Cf. Deus, amor infinito n.23.

[7] CF. Dt 6,5.

[8] Cf. Doc. Fundamento do nosso Apostolado n. 6

[9] Cf. Lumem Gentium n.9

[10] Cf. OO. CC. I,6-7