1. INTRODUÇÃO.
2. PRESSUPOSTO BÍBLICO.
O discernimento vocacional se apresenta na Bíblia mais como um exercito
do que uma teoria. O enfrenta forças contrapostas e é obrigatório a
distinguir e optar.
Textos Fundamentais:
1. Lc 9,57-62 => as desculpas dos chamados
2. Lc 18,18-27 => Mestre, que devo fazer...
3. At 1,15-26 =>distinguir qual e a vontade de Deus
4. Gl 6,1-10 =>critérios para ser ministro.
Pauta Para Análise
1. Situações
descritas nos textos e problemas apresentados.
2. Qual è o objetivo do discernimento no texto?
3. Quem o realiza?
4. Chave do discernimento (expressão ou expressões chaves e critérios
fundamentais ).
5. Atitudes e exigências, disposições ou condições para o
discernimento.
3. ETAPAS DO DISCERNIMENTO VOCACIONAL
3.1 PROMOVER E SUSCITAR
- Toda comunidade è co-responsável
- Criar um clima vocacional
-Sentimento de pertença á comunidade
-Criar ambiente para se ouvir o chamado.
Nas crianças => INFLUÊNCIA: -dos pais
-dos catequistas
-da escola
Nos jovens => -grupos
-comunidade
3.2 ACOLHER E ACOMPANHAR
- é importante o papel do orientador, do agente vocacional
-saber ouvir
-dar espaço para o jovem sentir-se útil
-inserção na comunidade
-apoio da comunidade.
3.3 FORMAR
-é etapa que terá continuidade a vida toda
-opção definitiva
-esta etapa tem duas vertentes: a pessoal, é o candidato que é
protagonista, deve tomar uma opção livre com o apoio da comunidade e da
equipe de formação ; e a vertente oficial, porque é a Igreja e o
Instituto ou Congregação que deve aceitar ou não.
É nesta hora que a comunidade tem um papel fundamental, porque é a hora
decisiva.
4. CONCEPÇÃO SOBRE VOCAÇÃO
( B. Giordini : Respuesta del hombre a la llamada de Dios)
4.1 CONCEPÇÃO ESPIRITUALISTA
A vocação consiste num chamado direto e especial que Deus dirige a cada
um .É uma graça especial e que necessita de uma resposta.
4.2 CONCEPÇÃO PSICOLOGISTA
O acento desta concepção está na auto-realização, sem terem contra
nem a realidade, nem o outro. A vocação se concentra no próprio
sujeito, suas qualidades, aspirações, interesses e atitudes (incoerência
).
4.3 CONCEPÇÃO ANTROPOLÓGICO-EXISTENCIAL-CRISTÀ
Põe em relevo as relações entre Deus e o homem (transcendência ). A
iniciativa porém é Deus, se manifesta nas situações concretas, históricas
que movem a pessoa (mediações). A vocação é dom e resposta (vacação-missão)
5. SÍNTESE SOBRE O DISCERNIMENTO
5.1 - O discernimento caracteriza a vida cristã : o cristão deve estar
sempre atento aos sinais e á vontade de Deus.
5.2 - O discernimento vem da liberdade da pessoa. Não há um caminho pré-fixado,
mas um convite para colaborar no plano de Deus.
5.3 - O discernimento afeta a conduta e a caminhada do cristão.
5.4 -O sujeito é o cristão, mas inserido dentro de uma comunidade.
5.5 -Critérios de discernimento:
-não levar-se aos critérios do mundo
-transformar-se pela renovação da mente
-deixar-se levar sempre pelos princípios do bem , do amor fraterno. O amor
fraterno se configura como faculdade de discernimento.
5.6 - Acertar na opção se reconhece na conduta prática e pelos frutos
do espírito.
6. ILUMINAÇÃO
Discernimento é perceber por onde devo andar para fazer a vontade de
Deus.
Em Rm 12,1ss há dois caminhos:
- o da purificação -(negativo) não vos conformeis com o mundo;
- o da transformação - (positivo) transformar a mente.
6.1 O CAMINHO DA PURIFICAÇÃO
Não vos deixeis esquematizar por este mundo.
O esquema é uma realidade superficial por este mundo.
Este mundo: sociedade construída pelo homem.
Este mundo tem um esquema e o esquema é proposto. Paulo pede que nosso
estilo não seja o estilo do mundo. Quais são hoje os modelos para a
sociedade brasileira? Esquema do mundo : P.C., Collor, políticos...
Cuidado com o esquema. Dizer não aos esquemas que vão entrando na nossa
vida. ( Por que vocês não podem comer de todas as frutas? Por que não
pode comer o que é bonito e bom ao paladar? Gm 3). O coração torna-se
entenebrecido. Nossos canais ficam obstruídos (canal social e canal
afetivo).
O esquema do mundo está em torno de Deus . O mundo afirma a presença de
Deus, mas mas Deus não serve para nada . Presta homenagem a Deus, mas não
permite que Deus entre em sua existência. Uma pessoa neste esquema presta
culto, reverencia Deus mas não dá um espaço para Deus, não o deixa
entrar em sua vida particular.
O esquema do mundo relativiza valores. Quando há relativos
absolutizados em minha vida, tudo fica fora de foco, não me situo mais na
historia, tudo é errado (Adoraram a criatura, em vez do Criador -
1,18ss). Não há mais sintonia, mas loucura. O Deus que cultuo não tem
nada a ver com a minha vida. O capitulo 2 da Carta dos Romanos acentua que
o povo reconhece a Deus mas se liberta do esquema de Deus porque o centro
é Deus e ele está em Deus. São as virgens imprudentes, tinham certeza
absoluta de que
não haveria festa sem elas, e no entanto houve. Tem certeza de
que podem fazer o que quiser por que tem Deus na mão. Faço o que quero
porque pertenço ao povo de Deus, sou escolhido, sou padre, sou religioso
- religiosa...
Paulo propõe o seguinte caminho da perfeição:
a) oração: reconhecimento da fé;
b) jejum: fortificar o homem interior - auto - domínio;
c) esmola: reconhecimento do irmão.
6.2 CAMINHO DA TRANSFORMAÇÃO
"Transformai-vos renovando vossa mente"
Mente=> capacidade de se situar. Se não nos transformarmos não
podemos nos situar. Cuidem para ue a mente não caia na loucura.
A transformaqção da nossa mente é obra da gratuidade de Deus.
Ao tomar uma decisão abrir espaço para o Espirito Santo.
- que vosso amor cresça cada vez mais em conhecimento e em sensibilidade
a fim de poderes discernir o que mais nos convém.
- que vocês sejam puros e irrepreensíveis na plena maturidade da justiça
de Cristo.
- para a glória e o louvor do Pai.
A sensibilidade é um dos maiores critérios para o discermimento.
- mudança de um coração de pedra em carne ( Ez 36)
- solidariedade ( não é fácil perceber que existeo outro)
- quem são nossos amigos?
- Quais são os carentes que são nossos amigos?
- Sensibilidade é perceber o que falta para o outro.
1. Projeto de Vida Sacerdotal e Religiosa
- é um projeto
centrado em valores absolutos e não em satisfação imediatas.
- se realiza mediante a renúncia em favor das pessoas.
Esta renúncia se faz em favor de:
* Deus , primazia de tudo. Ultrapassa os limites da filantropia.É o
sentido único da vida.
* Deus encarnado - manifestado sobretudo nos pobres.
* Cristo que se atualiza constantemente na Igreja, lugar de encontro
homem-Deus.
-quando não há estas bases humanas e cristãs este projeto vocacional não
poderá ser assumido.
2. Crescimento psicológico e espiritual
Estão intimamente ligados.
- um projeto de vida comprometido com Deus e com irmãos germina mais
facilmente se o sujeito encontra o equilíbrio interior libertando-se das
ansiedades, complexos, fantasias, dependências, inseguranças e conformismos.
- um projeto de vida germina mais facilmente se a pessoa:
* não está presa na busca da satisfação imediatas :
* sabe tolerar as frustrações sem deixar-se levar pela impulsividade.
* aceita os conflitos sem cair em depressões prolongadas;
* se alegra com êxitos sem desequilibrar-se emocionalmente
- um projeto de vida germina mais facialmente nas pessoas que precisam
de afeto e carinho.
- um projeto de vida que exige uma relação desinteressada com Tu
transcendente será difícil numa pessoa com dificuldades de relação
pessoal, excessivamente introvertida, a desqualificar os demais.
3. Como discernir o crescimento de uma vocação
Normalmente tomamos os comportamentos como manifestações autênticas
de valores. Se reza e obedece... é bom... logo tem vocação . Porém, nem
sempre este esquema é certo, porque, nem sempre os comportamentos estão
motivados por valores autênticos. Podemos aprender a fazer... (
desempenhar um papel ) e com certeza sem ser internalização de valores.
O verdadeiro discernimento vocacional não verifica tanto a presença
dos valores presentes. Não se fixa tanto no que, mas no porque. Porque
obedece? Porque reza?
4. Sinais da internalização de valores
Levar em conta três indicadores:
4.1 - uma atitude é expressão de valores transcendentes quando foi
escolhida pelo grau de transparência, para testemunhar os valores no que
se crê e não quando foi escolhido em virtude de sua capacidade de
procurar satisfação.
4.2 - uma atitude, não é expressão de valores quando o individuo se
apega indiscriminadamente a ela e tudo é condicionado por ela.
4.3 - quando uma atitude é vivida não como um meio, mas como um fim em
si mesmo, corre o risco de ser desempenhado com legalismo e resignação.
Em tudo há renúncias a certas satisfações e este preço se paga com
alegria.
5. Motivações predominantes
Em base de todo comportamento há uma gama de motivações nobres e
outras menos nobres. A pessoa é como um " Iceberg ", do qual só
vemos a parte que emerge, porém, esta sustentada por uma massa gigante
submersa. Vemos a ação, mas não o coração. Que busca o coração?
Não podemos ver o coração, porém, é o que faz com que viva ou morra.
Conhecemos o coração através das atitudes. A atitude é muito mais que
opinião. A opinião está na mente, a atitude está no coração.
A atitude contém elementos afetivos e volitivos que a faz mais resistente
á mudanças.
6. Funções das atitudes
6.1 - Função utilitária e defensiva do eu
Busca recompensas ou evita castigos
6.2 - Função
expressiva dos valores e função cognicitiva.
Assume-se
determinadas funções ou atitudes com a finalidade de realizar valores
livres e objetivos ( maturidade).
7. Discernimento dos Espíritos
É a ajuda que uma pessoa dá a outra para que possa conhecer a
vontade de Deus nela e respondê-la.
Duas formas:
- individualizar os sinais de Deus no indivíduo
- considerar a capacidade que a pessoa tem de reconhecer a presença de
Deus a acolher sua ação.
Discernir não significa simplesmente dar conselhos, mas ajudar a
ajudar-se. "Eu posso ajudar a viver segundo a decisão que tomou de ti
mesmo sem que tenhas que depender de teu estado de ânimo momentâneo, nem
de minha influência moral. Te ajudo em dizer o que deve fazer, mas como
situar-se diante de Deus e diante de si mesmo". Se não se favorece a
capacidade de resposta, tudo cai num espiritualismo de pias intenções.