- O ANIMADOR VOCACIONAL - QUEM É?


O animador vocacional na Arquidiocese, paróquia ou capela é alguém indicado pela comunidade e aprovado pelo pároco, Arcebispo ou Provincial e, após uma formação específica, encarregado pela Igreja, para exercer um dos ministérios da Igreja em benefício do povo. Os promotores vocacionais - padres, consagrados e consagradas -, em âmbito de Arquidiocese, bem como os componentes das Equipes Vocacionais Paroquiais, em âmbito paroquial, e as pessoas que atuam diretamente no serviço de animação vocacional são chamados de animadores vocacionais.

O Serviço de Animação Vocacional é um trabalho diferente, com características e dificuldades próprias. Do mesmo modo como encontramos catequistas e outras lideranças, também é possível encontrar pessoas dispostas para o trabalho vocacional. Depende de motivação.

O animador vocacional não é um “técnico” ou necessariamente um “sábio”, mas um apóstolo com espírito aberto diante das reais necessidades da Igreja. É uma pessoa de Deus, que ama a Igreja e que tem consciência de que esta precisa dela.

 

O animador vocacional, na medida do possível, deve:

 Estar integrado na pastoral de sua comunidade eclesial, do Vicariato e da Arquidiocese.
 Ser uma pessoa de fé, seguidora fiel de Jesus Cristo e da Igreja, confiante na oração e na ação do Espírito Santo.
 Ser uma pessoa madura e equilibrada, com capacidade de acreditar nas pessoas e trabalhar em comunhão com o pároco e os outros animadores da pastoral, como   Juventude, Catequese, Liturgia, etc.
 Ser alguém que crie um clima vocacional na família e na comunidade.
 Ser uma pessoa de oração, a exemplo de Cristo.
 Ter um grande amor à Igreja e, por isso mesmo, ser capaz de trabalhar e dar a vida por ela, embora a reconheça santa e pecadora.
 Ter muita convicção e amor à própria vocação, pois o testemunho de vida é mais eloqüente e eficaz do que as palavras.
 Ter senso crítico e capacidade de diálogo e compreensão para ajudar o jovem no discernimento vocacional.
 Ter conhecimento dos diversos carismas presentes na Igreja.
 Ter gosto e aptidão para o trabalho vocacional.
 Ser atualizado – estar por dentro dos anseios, esperanças, alegrias e sofrimentos das pessoas.
 Ser sincero não ter duas caras; assim conquistará a confiança.
 Ser sábio, “pessoa capaz de saborear a vida” e as maravilhas de Deus espalhadas nas pessoas, nos acontecimentos e nas coisas.
 Ser santo, de personalidade equilibrada, humana, psicológica e religiosamente. Irmão ou irmã de todos.
 Ser dinâmico, afável, social, compromissado com as pessoas da comunidade, da paróquia e com a Igreja.

O animador vocacional é um cristão e tem, portanto, o mesmo projeto de Jesus Cristo: a salvação de todos = “Eu vim para que todos tenham vida plena” (Jo 10, 10).

Recebe um ministério e tem, portanto, uma tarefa explícita a executar.

O animador vocacional é um intermediário entre: DEUS que chama e o VOCACIONADO que responde.

 

 

 

"Jesus, modelo de animador vocacional"

Observando a atividade vocacional de Jesus ao longo do terceiro evangelho
detectamos várias atitudes do Mestre que são inspiradoras para os atuais
animadores e animadoras da Pastoral Vocacional.

Jesus é antes de tudo um evangelizador, educador e profundo conhecedor das
Escrituras que se deixa conduzir pelo Espírito. Ele enfrenta os riscos e
ameaças e quando tentado permanece fiel ao Senhor. Como animador vocacional
ele chama e escolhe os seus vocacionados depois de passar uma noite em
oração. Seu jeito de comunicar é simples e fala com autoridade usando a
linguagem do povo. Conta parábolas para instruir e facilitar a compreensão
da sua mensagem. Com sua palavra clara e objetiva Jesus questiona os seus
seguidores e respeita a liberdade dos seus vocacionados de segui-lo ou não.
Ele sempre alerta os seus vocacionados sobre o risco da cruz e o perigo da
ilusão de uma missão fácil.

O Jovem de Nazaré é um animador vocacional simples, acolhedor que gosta de
levar os vocacionados a uma experiência de oração a montanha. Ele reza e
ensina a rezar. E quando contempla a messe com poucos trabalhadores ele
também ensina a rezarem pedindo ao Senhor que envie operários: A colheita é
grande, mas os operários são poucos. Pedi, pois, ao Senhor da colheita que
envie operários para sua colheita." (Lc 10,2).

Jesus envia os seus vocacionados para uma experiência missionária delegando
poderes para combaterem o mal e os orienta a serem despojados de tudo,
visitar as famílias de casa em casa e anunciar a todos a Boa Notícia. Jesus
enquanto animador vocacional está sempre educando os vocacionados,
provocando a reflexão, perdoando e ensinando o perdão, a misericórdia, a
partilha do pão, a comunhão fraterna, a servirem com coragem, dedicação e
humildade. Ele é um animador vocacional sincero, aberto, livre que junto com
os vocacionados, participa da vida da comunidade (festas, celebrações) e com
gestos e palavras corajosas apresenta a Verdade a todos sem discriminar
ninguém.

As últimas orientações que Jesus dá aos seus vocacionados foram mais de
atitudes do que de palavras. Ele entregou a própria vida aceitando o
sofrimento, a cruz e a morte. E ressuscitado, Ele esquece as "traições" e
antes de voltar ao Pai, abençoa seus vocacionados que "voltaram para
Jerusalém, cheios de alegria, e estavam sem cessar no templo, bendizendo a
Deus." (Lc 24,52-53).

        Depois  de  apresentarmos  todas  estas características de Jesus
colocadas como "espelho" no qual podemos reconhecer ou não a nossa imagem de
animadores e animadoras da Pastoral Vocacional, podemos destacar ainda
outros traços da pessoa de Jesus que Lucas deixa transparecer nas entre
linhas do seu evangelho.

Ele tinha a capacidade de:

- Amar e deixar ser amado.
- Caminhar e apontar caminhos.
- Acolher novos valores e valorizar os diferentes ministérios.
- Analisar a realidade e lutar contra a dominação.
- Jesus também sabia:
- Incentivar a colaboração.
- Encorajar o coração dos vocacionados.
- Escutar, entender e estimular a vida.
- Reconhecer e valorizar os vocacionados e vocacionadas.
- Educar a fé
- Retirar, rezar e repousar.
- Promover e motivar.


Com o seu jeito livre, questionador e humanizante, Jesus  ensina 
progressivamente  aos  seus vocacionados e vocacionadas que a vida é um
caminho a percorrer no serviço a Deus sem se preocupar com os riscos,
permanecendo fiel ao Pai sem ser rígido, formando pessoas e não personagens
e fazendo o Reino de Deus acontecer na história.